Golpes e fraudes financeiras crescem durante a pandemia

Golpes e fraudes financeiras crescem durante a pandemia

Advogada compartilha dicas de como proteger dados na internet 

Desde o início a pandemia é possível perceber o aumento dos golpes[…]

Advogada compartilha dicas de como proteger dados na internet 

Desde o início a pandemia é possível perceber o aumento dos golpes financeiros na internet. Provavelmente você conhece alguém ou foi vítima de algum entre 2020 e 2021. A cada relato compartilhado e alertas de especialistas, os criminosos inovam e aparecem com outra modalidade.

Um que se tornou muito comum foi o do WhatsApp. Há os que clonam contas do aplicativo e os que se passam pela vítima usando sua foto, mas com outro número de celular. Em quase todos os casos, o objetivo é pedir dinheiro emprestado para pagar depois, justificando problemas com o banco.

“Em relação às ligações e mensagens de WhatsApp, é importante certificar quem está do outro lado da conversa, se é alguém que você conhece ou empresa com quem mantem relação. Sempre evite fornecer informações e dados, principalmente enquanto não tiver essa certeza”, pontua a advogada Taciane Rodrigues, do escritório JGM Advogados Associados.

PISHING

O pishing também é uma das principais iscas dos estelionatários. Através de e-mails, eles tentam coletar informações das vítimas por meio de links falsos ou vírus. Esse tipo de golpe foi detectado em 80% dos casos registrados, de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Segundo a plataforma consumidor.gov.br, no primeiro semestre deste ano, 47.413 consumidores reclamaram que tiveram dados pessoais ou financeiros consultados, coletados, publicados ou repassados sem autorização. No mesmo período, em 2020, foram registradas 21.310.

Para a advogada, agir com cautela e checar informações nunca é demais. “É muito importante averiguar se o site é confiável, pesquisar sobre a empresa e verificar se possui política de proteção às informações dos seus clientes. Isso ajuda a evitar problemas, como o roubo de dados pessoais e a clonagem de cartões de crédito, por exemplo. Canais de vendas virtuais são obrigados a fornecer razão social, endereço, telefone e CNPJ. Pode-se entrar em contato diretamente com a empresa para os devidos esclarecimentos”, ressalta.

CPF

Em 2019, o CPF se tornou um dos principais alvos de criminosos na aplicação de golpes. Juntamente com outros dados pessoais, o documento permite a contratação de serviços e até de empréstimos. Na época, de acordo com a Serasa Experian, havia uma tentativa de fraude a cada 16,9 segundos no Brasil.

“A grande maioria das empresas utilizam o CPF para realizar cadastro de seus clientes, há outras que fazem uma varredura de histórico de crédito e pedem para essa verificação. Esses processos são normais e necessários para garantir que o crédito seja liberado, quer seja na concessão de um empréstimo ou cartão de crédito”, esclarece Taciane Rodrigues.

“Como é um documento que vem sido fornecido para tudo hoje em dia, é preciso começar a questionar como, quando e onde usá-lo. Especialmente, deve-se evitar fornecer o número em casos que não tem interesse em manter qualquer tipo de relação com a empresa, não deseja realizar cadastro ou permanecer em seu banco de dados. Fornecer somente quando necessário, evita que seu CPF seja fraudado e sua identidade seja usada para a compra de produtos, solicitação de cartões de crédito e financiamentos, e até mesmo aquisição de contratos”, complementa.

COMO SE PROTEGER?

Manter seus documentos por perto e ter cuidado no descarte de cartões e correspondências são alguns cuidados importantes que devem ser tomados para se proteger de golpes e fraudes. Em caso de roubo, deve-se informar à polícia e fazer o boletim de ocorrência o mais rápido possível.

“O B.O. é responsável por levar às autoridades policiais e judiciais a notícia do crime, é a ferramenta pela qual o processo judicial será investigado, pois é a partir das suas informações que o crime é notificado. Além disso, gera estatística e é baseado nela que há o investimento na segurança pública. Se for o caso, assim que possível, registre reclamação no site do e-commerce, banco ou financeira. Guarde provas, como prints de tela, e-mails e mensagens recebidos, formalize reclamações em sites de consumidores e no Procon”, destaca a advogada.

Vale salientar que bancos e outras prestadoras nunca solicitam dados por telefone ou e-mail, ao entrar em contato com você. Em geral, costumam apenas confirmar as informações que já possuem no cadastro. 

ALERTA

Ao fazer compras no e-commerce, a atenção tem que ser redobrada. Lojas online falsas também podem roubar seus dados. É importante checar se o endereço do site está correto, tem HTTPS e a conexão é segura. Vale evitar computadores compartilhados e redes públicas.

Taciane Rodrigues alerta os consumidores. “Evite salvar dados de pagamento on-line, repetir a mesma senha em vários sites, usar redes de Wi-Fi públicas e aproveitar perfis de redes sociais para fazer login em sites. Limite a quantidade de dados que se coloca na internet e não clique em links desconhecidos ou promoções que cheguem por e-mail, mensagem de texto ou WhatsApp”.

“Como prevenção, faça ajustes de privacidade em redes sociais, reveja as permissões de aplicativos, ative a verificação em duas etapas, mantenha seu antivírus sempre atualizado também para bloquear programas maliciosos, tenha mais de um e-mail, nunca passe informações de senhas bancárias por telefone, verifique com frequência seu extrato bancário e a fatura de seu cartão de crédito, ative os avisos de segurança nas contas bancárias, e-mails e redes sociais, e, se possível, faça regularmente o acompanhamento do seu CPF”, conclui.